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Origens da Misericórdia

A misericórdia é uma das virtudes evangélicas (as Bem-aventuranças) invocadas e ensinadas por Cristo no Sermão Da Montanha (Mt 5,7).

João Damasceno (lib. II, cap. XXIV) define-a como a inclinação do ânimo compassivo para com os males alheios.

Se recuarmos aos textos eminentemente didácticos atribuídos a Jesus, filho de Sira, coligidos no Eclesiástico (Velho Testamento; Ecli 4, 1-10) lá encontramos a exortação às obras de misericórdia. Neles se incita a que se atenda e auxilie o pobre, a que se não deixe definhar o indigente, a que se seja misericordioso para com a viúva, para com o oprimido, o aflito, o esfomeado, o infeliz.

Cesare Ripa, autor do clássico Iconologia (1618), especifica que, pelo sentimento misericordioso, sofremos com as misérias alheias e procuramos satisfazer, quanto possível, as suas necessidades, desencadeando a prática das catorze obras de misericórdia. Para a caracterização desta, Ripa compôs uma figura feminina de braços abertos, tez branca, olhos grandes e nariz aquilino, exactamente como o havia referido Aristóteles, na sua Fisionomia, e à imitação de Cristo Redentor, que sempre nos aguarda e envolve as nossas misérias num amoroso e agasalhador amplexo. Sobre a cabeça da alegoria, a coroa de oliveira é o símbolo da misericórdia, repetidamente referido nas Sagradas Escrituras. O ramo de cedro, que sustenta na mão direita, remete para a prestação frondosa, benigna e imponente da conífera. No elenco da simbologia, a coruja completa o quadro, porque já entre os Egípcios era o símbolo da misericórdia.

Ainda indistinto e longínquo é o advento das chamadas Virgens do Manto, mas sem dúvida que uma das suas primeiras devoções se encontra no culto bizantino do véu da Senhora (o omophorion) com o qual protege Constantinopla e o Império, revelando a visão do monge André, no século X, narrada em Vida de Epifânio, a propósito do aparecimento da Virgem àquele e ao seu discípulo Epifânio. Esse culto de protecção e agasalho estende-se à Rússia e, no século XII, já se realizavam cerimónias que invocavam o pokrov, designação correspondente ao omophorion. Pela Idade Média, esta iconografia do véu, ligada à exortação e prática da protecção misericordiosa, vai confundir-se com uma que lhe é sinónima, a do manto, que se invocara fora do cristianismo e, mais particularmente, do culto mariano. Para isso, basta ler as Metamorfoses de Ovídio (VI, 167-312) no episódio em que Niobia «agasalha» a última das suas filhas, quando sobre ela arremetem as setas impregnadas da ira de Apolo.

A apropriação desta invocação do pano protector percorre toda vivência medieva entre cistercienses, dominicanos, franciscanos, carmelitas, cartuxos, trinitários, Ordens Terceiras e confrarias laicas, conformando-se estas últimas como alfobre privilegiado do crescimento da popularidade deste culto e das práticas que a ele se associavam. A acção da confraria romana Recommandati Virgini, vulgo conhecida por Societá del Gonfalone, fundada em 1270 por S. Boaventura, vai determinar a enorme difusão do culto por todo o Ocidente cristão.

Última actualização 06-04-22  Política de Privacidade |